Cinema 3D: salas brasileiras aceleram migração para a nova tecnologia
Equipe Quiçá Design
Interessante reportagem de Evelin Ribeiro, repórter do IDG Now!, revela o atual cenário do mercado de cinema 3d (entenda-se estereoscópico) no Brasil, em momento que várias produções cinematográficas, incluindo animações 3d, estão sendo produzidas e lançadas em formato estereoscópico. Confira!
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São Paulo – Salas de projeção 3D sobem de 25 para 100 até julho, em aposta do setor para tirar o usuário de TV LCD e home theater de casa.
Do cinema mudo ao que vemos hoje, a grande tela sempre evoluiu mais rápido do que a tecnologia audiovisual doméstica. No entanto, atualmente, atrair espectadores para as salas de projeção tornou-se um desafio maior por dois fatores: a popularização de televisores de LCD e plasma, tocadores de Blu-Ray e equipamentos de home theater; e do crescimento do acesso em banda larga – redes de torrent permitem que usuários baixem filmes, mesmo ilegalmente, que ainda nem chegaram às salas de cinema.
Dados do site Filme B, que acompanha o mercado de cinema no Brasil e no mundo, mostram que o público total de cinema no Brasil era de 250 milhões de espectadores em 1976 e caiu para cerca de 70 milhões no começo da década de 90 como resultado da expansão da TV e, depois, do crescimento do home video. Essa tendência começou a se reverter em 1997 e, em 2003, o total de ingressos vendidos no Brasil voltou à marca de 100 milhões. Em 2007, entretanto, houve queda de público de 2,9% e o ano fechou com um total de 88,6 milhões de espectadores.
Para vencer tais concorrentes “domésticos”, o cinema precisa oferecer um diferencial em relação ao que seu público já tem em casa. E a aposta do momento é o cinema 3D.
A Agência Nacional de Cinema (Ancine) aponta que o Brasil tem hoje 25 salas equipadas com projetores 3D. Até o lançamento mundial do filme “A Era do Gelo 3″ em 3D, previsto para 1º de julho de 2009, esse número deve chegar a 100 salas.
A primeira sala 3D do Brasil foi inaugurada em 2006, pelo Cinemark. A rede atualmente conta com nove salas e planeja inaugurar mais nove este ano. O grupo Severiano Ribeiro, proprietário da rede Kinoplex, possui duas salas no País e pretende adaptar de oito a dez salas à nova tecnologia este ano. O Playarte opera atualmente quatro salas 3D, todas localizadas na grande São Paulo. Já o grupo Arteplex tem duas salas 3D, além de ter sido o primeiro cinema a inaugurar uma sala de projeção IMAX.
No futuro, os cinemas não usarão mais filme em película, apenas tecnologia digital. Só que a migração para o cinema digital tem um alto custo. Nos Estados Unidos, ele é financiado pelos estúdios de cinema, que são os grandes beneficiados da migração, afinal, a distribuição dos filmes em cópias digitais fica muito mais barata para eles.
No Brasil, no entanto, é o exibidor (dono da sala de cinema) quem tem de arcar com os custos da migração. Aí está a deixa para o cinema 3D.
“O 3D tem sido uma forma de incentivar o digital. O futuro do 3D é total, é absoluto, porque os cinemas vão acabar sendo digitalizados de qualquer forma. O 3D é um fato concreto porque está gerando rendas maiores na bilheteria, estimulando os exibidores a passarem por essa onerosa transição para o digital”, declara Luiz Gonzaga de Luca, diretor de relações institucionais do Grupo Severiano Ribeiro, dono da marca Kinoplex.
Os números comprovam a afirmação do executivo. No ano passado, 10% das salas que exibiram o filme “Viagem ao Centro da Terra” usavam a tecnologia 3D (o filme foi uma das principais produções em 3D até o momento). Somente estas salas representaram 42% do faturamento do filme.
A longevidade – tempo que o filme fica em cartaz – também foi muito maior. Na segunda semana após a estreia, em vez de cair a procura pelo filme, como acontece em qualquer lançamento, a bilheteria das salas que exibiram “Viagem ao Centro da Terra” em 3D subiu. Já na terceira semana de exibição, a bilheteria das salas tradicionais havia caído quase 50%, enquanto salas com 3D haviam perdido apenas 12% da bilheteria.
Migração para o 3D
Cinema 3D existe há muito tempo e teve sua primeira “era de ouro” em meados dos anos 1950, quando o primeiro filme colorido em 3D foi lançado. Mas são os sistemas digitais quem proporcionaram uma melhoria significativa na qualidade do 3D, para que fosse mais real e diminuísse aquele desconforto e cansaço visual do 3D.
Atualmente, existem três tecnologias para cinema 3D: Real D, Dolby e XpanD. Confira no quadro abaixo algumas características, vantagens e desvantagens de cada uma.
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Segundo os especialistas entrevistados, um projetor 3D custa em torno de 110 mil dólares. Incluindo os impostos de importação, ao entrar no Brasil, o equipamento passa a custar pelo menos 500 mil reais. Um projetor que seja apenas digital, não preparado para reproduzir 3D, é um pouco mais barato – cerca de 80 mil dólares.
Na avaliação do cineasta Paulo Sérgio Almeida, diretor do Filme B, a compra desse tipo de equipamento não vale a pena. “Compensa muito mais trazer logo o 3D porque o digital é apenas uma equiparação de tecnologia em relação ao audiovisual do sinal de televisão que já está implantado em muitos lugares. Só o digital não vai atrair público novo nenhum. O diferencial é o 3D. É o que vai fazer os espectadores pagarem mais caro para ir ao cinema”.
De Luca, do Kinoplex, aponta que para compensar todo o investimento feito para instalar a sala 3D se gasta pelo menos uns seis, sete anos. “Por causa da alta taxa tributária brasileira”, diz.
O aumento no número de títulos em 3D também é im incentivo para que os cinemas apostem na migração. Em 2008 foram feitos apenas cinco filmes na tecnologia. Para este ano a previsão é de 13 a 15 filmes. “Vamos começar a ter problemas de falta de salas com 3D. Já estamos pensando em duas ou três salas com 3D no mesmo complexo, porque estúdios como a DreamWorks, Disney e Pixar já anunciaram que não vão mais fazer filmes que não sejam 3D“.
“A tendência é a diminuição no público dos cinemas, mas o 3D está aí para tentar reverter o quadro, conquistando primeiro crianças e adolescentes, depois os adultos”, observa Almeida. Segundo o cineasta, o 3D só vai deixar de atrair as pessoas quando a TV começar a oferecê-lo. “Até lá o cinema já vai ter inventado alguma coisa nova, para estar à frente novamente”, afirma.
Fonte: IDG Now!
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